Histórias

PAISAGISTA VIRA PRODUTORA RURAL AGROECOLÓGICA E CULTIVA MAIS DE 30 ESPÉCIES

Ervas e frutas para infusões são a especialidade do Herbanário – Sítio Quintal

Texto Flávia G Pinho | Imagens Caio Ferrari

 

Arquiteta e paisagista de formação, Heloísa Zorovich virou a mesa há 13 anos, quando trocou a capital paulista pelo interior. Dois anos depois, ela e o marido se instalaram em um sítio de seis alqueires em Santo Antônio do Pinhal (SP), na bucólica Serra da Mantiqueira. No terreno inclinado do Sítio Quintal, onde faz um frio danado no inverno, ela foi descobrindo aos poucos a vocação do solo. “Não adianta brigar com a natureza, é muita demanda de energia sem necessidade”, ela resume.


De fato, não foi difícil optar pelas ervas. Além de perenes, ou seja, não precisam ser replantadas a cada  colheita, elas se adaptam bem ao clima da montanha e são muito versáteis quando se trata de público-alvo – interessam a quem gosta de cozinhar, de usá-las com fins medicinais e também a todos que, como Helô, amam chás e infusões. “Sempre fui uma tomadora de chá, adoro todos os rituais envolvidos e, como paisagista, adorava plantar hortas.”


Cerca de 10 mil m² do sítio são cobertos de canteiros, onde Helô cultiva 27 variedades de ervas sem resquício de química – o cultivo é orgânico, embora não certificado. Crescem desde as mais comuns, como manjericão, coentro, boldo e alecrim, até as menos conhecidas: tem capim-limão, funcho, cardamomo, cinco variedades de hortelã, jambu, lavanda, malva, verbena e zimbro, só para citar alguns. Mas o negócio do Sítio Quintal não é só cultivar. Helô também desidrata as ervas e cria blends incríveis para infusões, misturando cascas de frutas cítricas, que chegam ao mercado com a marca Herbanário.


Imagine o perfume e o sabor de uma infusão que leva verbena, capim-limão, limão taiti, limão-siciliano, tangerina e lima-da-pérsia…As fatias mais afastadas do terreno, Helô reserva para culturas de verduras e leguminosas, como batata-doce, milho, uma linda variedade de almeirão roxo, couve crespa de talo roxo, brócolis, alho-poró, rúcula e radicchio. Só de feijões, são cinco tipos, incluindo os raros feijão-borboleta, que dá uma flor azul usada como corante natural, e o feijão do divino – olhando bem de perto, a gente repara que cada grão branco tem uma mancha vermelha, cujo formato lembra o Divino Espírito Santo. “Nossa intenção é que o sítio seja autossustentável. Gera alimentos para nosso consumo, para trocas com os vizinhos e, quando há excedente, vendemos alguma coisa”, diz a produtora.

 

Mas ela não parou por aí. Investiu no turismo de experiência, uma modalidade que cresce devagarzinho no Brasil, mas tem atraído um bocado de gente para aquelas bandas – embora fique coladinha a Campos do Jordão, uma das cidades turísticas mais famosas (e disputadas) do estado de São Paulo, Santo Antônio do Pinhal preserva o encanto da roça. Bem no meio do Sítio Quintal, cercado por canteiros de ervas, Helô construiu três chalés, para duas e três pessoas, que podem ser alugados pelo Airbnb. Os hóspedes podem receber uma verdadeira aula sobre ervas enquanto passeiam pela horta, participar de degustações de infusões ou simplesmente relaxar.

Quem ficou com vontade de visitar o Herbanário –Sítio Quintal pode agendar pelo Instagram @sitio_quintal, pelo Facebook ou pelo email heloisazorovich@gmail.com. Agora, se você (assim como nós…) ficou curioso para saber como é a experiência de passar a viver na roça e virar microprodutora rural, não deixe de assistir à entrevista que ela concedeu ao Cozinha.Doc.

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1 Comentário

  • Lisa Mazzei

    Formidável,como se desenvolveu brilhantemente no assunto.
    O lugar está lindo!
    Adorei estar aí .
    Tão estudiosa e interessada em tudo, só podia ter tanto sucesso
    mesmo
    Parabéns ,continue sempre…