Histórias

ALAMBIQUE DESATIVADO EM PASSA QUATRO REVIVE PARA PRODUZIR A CACHAÇA EXCELÊNCIA

Já no primeiro ano, produtor conquistou três prêmios no Concurso Mundial de Bruxelas

Texto Flávia G Pinho | Imagens Caio Ferrari

 

Na terceira e última reportagem sobre os fornecedores da Casa Petrópolis, em Campos do Jordão e arredores, o Cozinha.Doc conta a história da cachaça Excelência, uma preciosidade que, no restaurante, pode entrar nas receitas de drinques – mas a gente recomenda purinha mesmo.

Tudo começou por acaso. Administrador de empresas, Marcio Guilhen trabalhava em uma fábrica de conexões de aço em Guarulhos, na Grande São Paulo, mas sonhava em deixar a cidade grande. Ele e a mulher, Daniela, queriam aquela qualidade de vida que ela, mineira de Passa Quatro, conhecia muito bem. Foram morar na Austrália, fizeram um pit stop na China, mas acabaram lá mesmo, em território passa-quatrense, em 2016.

Logo na chegada, o sogro de Marcio, Waldir Ferreira de Carvalho, pediu ajuda ao genro – sonhava em produzir cachaça e o incumbiu de encontrar um alambique que pudesse arrendar. Não foi difícil. Marcio topou com uma baita estrutura, fechada havia oito anos, onde já tinha sido produzida a cachaça Guapiara. Estava tudo lá, dos belos alambiques de cobre aos tonéis para envelhecimento, alguns ainda recheados de cachaça. De uma tacada só, alugou o espaço e ainda decidiu virar sócio da empreitada. Assinou o contrato e, no mesmo dia, se matriculou no curso da Fazenda Escola Taverna Real, em Itaverava, junto com a mulher. “A gente não sabia nada de cachaça e precisava aprender do zero”, ele conta. Naquele dia, começava a nascer a cachaça Excelência. Já na primeira alambicagem, o trio mostrou a que veio.


A cachaça Excelência Carvalho voltou do Concurso Mundial de Bruxelas 2018 com a medalha Duplo Ouro. A branquinha Clássica, que passa por barril de jequitibá, faturou a Prata, mesma medalha conquistada pela Doce Paixão – uma senhora cachaça, embora seja a mais barata do alambique, vendida em garrafa âmbar de cerveja. A Excelência ainda não tem canavial. Por enquanto, a cana vem de Caçapava, que fica a 2 horas de Passa Quatro, mas a ideia dos empreendedores é começar a selecionar produtores de Passa Quatro mesmo, para fomentar a economia local e diminuir a correria.

“O ideal é moer a cana no menor tempo possível após a colheita”, Marcio explica. O fermento também é local, feito por eles à base de cana e água – o chamado fermento caipira. Por safra, já são produzidos 20 mil litros de cachaça, mas o alambique tem fôlego para muito mais. “ Nossa capacidade é para 300 mil litros. Por enquanto, para quem está há tão pouco tempo no mercado, já é um sucesso produzir 20 mil”, diz Marcio. Uma lojinha bem montada, dentro do terreno do alambique, vende os quatro rótulos da Excelência (Clássica, Ouro, Carvalho e Castanheira), além do Licor Fino de Coco Excelência e da cachaça Doce Paixão. Todas, até as brancas, descansam pelo menos seis meses em barril de jequitibá rosa. Nas degustações, tem gente que estranha a presença de uma cachaça envelhecida por oito anos. Como, se a marca é tão nova? Só então Marcio revela o segredo: “Esse tesouro já estava aqui quando chegamos.”

Para conhecer um pouco mais sobre a produção da Excelência, confira a entrevista exclusiva que Marcio
Guilhen deu ao Cozinha.Doc.

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